










Projetos
trilha sonora- Apresentação
- Apresentação
- Apresentação
- Acto1!
- Ficha Técnica
- Acto2!
- Trajetória
- Cia. Brasileira
- Textos dos Criadores
- Grupo XIX
- Crítica
O projeto “Troca de Pacotes – Um Outro Si Mesmo” foi contemplado pelo Programa Rumos Itaú Cultural Teatro, que promoveu o intercâmbio entre grupos de teatro de todo o Brasil. O espanca! e a Companhia Brasileira de Teatro trocaram correspondências com materiais criativos diversos, realizaram encontros presenciais e em agosto de 2011, apresentaram um experimento, fruto do processo de pesquisa.
Idealizado pelo espanca!, o ACTO! – encontro de teatro, é um projeto em parceria com o Grupo XIX de Teatro (SP) e a Cia. Brasileira (PR). Aliando prática, teoria e reflexão, o objetivo é criar um espaço íntimo para o intercâmbio e a discussão sobre as razões artísticas e os caminhos criativos que norteiam a linha de trabalho dos participantes.
O espanca! coordenou o processo de criação do espetáculo de formatura do curso profissionalizante de teatro do Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado – Palácio das Artes. O grupo assinou coletivamente a direção do processo, pensando em trazer aos atores-formandos, a vivência de um coletivo teatral, cotidianamente. Construído a partir do estudo de contos da literatura fantástica latino-americana, Delírio em Terra Quente é uma investigação sobre a identidade latina, sobre o imaginário que permeia nosso continente: uma dança entre aquilo que se idealiza e aquilo que se realiza nessa terra tão calorosa.
A primeira edição do encontro, realizada em parceria com a Agentz Produções, aconteceu em Belo Horizonte, entre 19 e 22 de abril de 2007, no Teatro Dom Silvério, no Museu Mineiro e no Espaço Ambiente e contou com a participação do professor e crítico teatral Kil Abreu. Cada coletivo apresentou um espetáculo de seu repertório (Por Elise, Hysteria e Suíte1) e propôs aos demais presentes uma tarde de diálogo sobre sua história e seus processos de criação. Por meio de apresentações de espetáculos, demonstrações de trabalho e conversas, parceiros e pensadores foram convidados a refletir sobre o teatro que fazemos no Brasil hoje, mesmo com caminhos estéticos distintos.
carta de abertura do acto1!Belo Horizonte, 19 de abril de 2007.
Os princípios que guiam a criação artística são diversos e ilimitados. Dar inícioao processo de construção de uma obra é percorrer um caminho visível aospoucos. Por melhor que seja o planejamento e a elaboração do roteiro, os riscossão inevitáveis (e imprescindíveis!) quando se propõe dialogar coletivamente.O espetáculo “acontece” como parte do acúmulo de conhecimentos, escolhas,sensações e intuições de todos os artistas envolvidos na cena.
Buscamos entender a natureza do nosso teatro. “Natureza” é a condição do homemantes mesmo da civilização. Buscamos entender o que está por trás da civilidadedo teatro que nós fazemos, da forma como nos ordenamos, da nossa Ordem.Lembramos ainda que a “natureza” talvez tenha sido o primeiro ato divino. Ohomem veio depois. Assim, acreditando que no que é divino não se toca (o que édivino é pessoal e intransferível), vamos começar pela natureza.
No princípio, o teatro talvez tenha chegado a nós, os artistas, cheios deinformações definitivas. Talvez tenhamos aprendido que ele, o espectador, deveassentar-se embaixo e no escuro e nós artistas em cima, iluminados. Que o atordeve encontrar de qualquer forma uma voz diferente ou um jeito de andar que nãoseja o seu no dia a dia concorrente da ficção. Talvez tenhamos aprendido que oque é épico é épico; o que é lírico é lírico; e o que é dramático é dramático. Não hámistura, só fronteiras. Que determinados estilos e conceitos são paradigmas claros,bases sólidas e intransponíveis para a criação.
No entanto, com o tempo, entendendo que a arte, assim como a vida, tem umaforma muito frágil e em constante mudança, somos, artista e público, convidadosa repensar o caminho. Se ela nos foi apresentada de determinadas formas, como tempo, somos convidados a repensar a forma como a apresentaremos para ooutro, o público. Repensar também em que capítulo desta antiga história estamos…Avançamos? Voltamos algumas páginas? Olha quanta fragilidade tem a nossa forma.
Com o ACTO1, queremos investigar como os grupos e os participantes têmfeito teatro, investigando as formas expressivas que são, por vezes, frutosde estratégias conscientes da criação e, por outras, resultados inconscientes:frutos inocentes da nossa inspiração, esse entusiasmo divinamente pessoal eintransferível. Se “querer é poder”, queremos também sinais de respostas dealgumas perguntas que nos perseguem para que possamos clarear os próximospassos e pisar ainda mais forte. Coincidentemente, os três coletivos participantesestão em fase de gestação dos próximos “frutos” ou preparando a terra.
Para isso, convidamos grupos que, nesses mais de dois anos em que existimos,nos identificamos com a substância de seus trabalhos. Ressaltamos que essaidentificação nasceu, sobretudo, por termos feito parte da experiência dosacontecimentos teatrais destes grupos: assistimos às peças do Grupo XIX de Teatroe da Companhia Brasileira de Teatro e percebemos que alguns pontos dos trabalhosfazem parte da matéria prima do teatro que gostamos.
Só para citar um dentre os diversos pontos, o tipo de relação travada com oespectador. Ele está conosco, presente, como nós. Ainda que comodamentesentado, sua respiração, emoções, sentimentos constroem o rito, juntos. Tambémgostamos de muitas outras coisas.
Gostamos quando, no início de “Suíte 1”, os atores permanecem um longotempo olhando para a platéia, como quem pergunta: “E então, quem começao espetáculo?”. Gostamos como as atrizes-autoras passeiam pelo textoem “Hysteria”, com uma dramaturgia aberta e, conseqüentemente, fresca,pulsante, além de outras coisas.
E, acreditamos que por trás desse gostar, existe um desejo em comum. Porisso, convidamos esses artistas para esse Encontro. Puro sentimento, afinidade,intuição… E técnica (por quê não?). Mesmo que estes grupos não sejamcaracterizados por uma técnica específica, elas podem ser vistas aqui e ali, comoresultado de uma estrada bem peculiar.
Assim, propomos uma forma de entender o que os moveu para chegar nas formasde seus espetáculos, inspirados no que disse de Pina Bausch: “…não interessatanto como as pessoas se movem e sim o que as move”.
Continuando a citar pessoas, Peter Brook disse uma coisa muito boa: “Na vida,nada existe sem forma, a todo instante somos forçados a procurar a forma”. Assimé também no teatro. Então, convidamos a todos para investigarem as formas denossos trabalhos, o que os levaram a serem assim, como nos movimentamos noteatro para que ele seja sempre o que é: uma arte provisória.
Bem vinda, Companhia Brasileira de Teatro!
Bem vindo, Grupo XIX de Teatro!
Bem vindo, Kil Abreu!
Bem vindo você, que veio compartilhar conosco!
Direção, Dramaturgia, Direção de Arte e Coordenação de Produção: espanca! (Aline Vila Real, Grace Passô, Gustavo Bones e Marcelo Castro)
Elenco: Adeliane Melo, Adriana Januário, Ana Araújo, Bruno Cuiabano, Clécio Luiz, Denise Leal, Fabiana Loyola, Fabiano Rabelo, Fábio Ribeiro, Flávia Almeida, Guilherme Colina, Igor Leal, Juliana Birchal, Luciana Brandão, Mayara Dornas e Roberta Torres.
Núcleo de Dramaturgia: Adriana Januário, Ana Araújo, Fabiano Rabelo e Flávia Almeida
Núcleo de Direção de Arte: Adeliane Melo, Bruno Cuiabano, Clécio Luiz, Luciana Brandão e Roberta Torres
Núcleo de Produção: Denise Leal, Fabiana Loyola, Fábio Ribeiro, Guilherme Colina, Igor Leal, Juliana Birchal e Mayara Dornas
Colaboração da Prática Corporal: Gabriela Christófaro
Assistência na Preparação dos Atores: Cristiano Peixoto
Colaboração no Registro do Processo: Ângela Mourão
Iluminação: Felipe Cosse e Juliano Coelho
Colaboração nos Figurinos: Renata Cabral e Clarice Panadés
Consultoria de Direção de Arte: Raul Belém Machado
Arte Gráfica: Vinícius Souza
Trilha sonora: Laboratório de Trilha Sonora do CEFAR
Coordenação de Trilha Sonora: Ricardo Garcia
Composição e Arranjos: André Taciano (violino), Gabriel Bruce (bateria), Thiago Braz (violão), Thiago Diniz (violoncelo) e William Rosa (baixo)
Estagiário e Operador de Áudio: Jésus Lataliza
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Espetáculo de formatura do Curso de Teatro do Centro de Formação Artística da Fundação Clóvis Salgado – Palácio das Artes
O segundo ACTO! também foi em Belo Horizonte, entre 20 de outubro e 03 de novembro de 2010, feito em parceria com o FETO (Festival Estudantil de Teatro). As atividades aconteceram na sede do espanca!, no Galpão Cine Horto, no Nelson Bordello e na Praça Duque de Caxias. Além de apresentarem trabalhos de seu repertório (Congresso Internacional do Medo, Vida, Descartes Com Lentes, Hygiene e Marcha Para Zenturo – fruto da parceria entre espanca! e Grupo XIX), os coletivos ofereceram Oficinas para artistas da cidade. A segunda edição do encontro, acompanhado pelo site Questão de Crítica, foi uma oportunidade para aprofundar as trocas artísticas entre os coletivos: além de mostrar a co-criação com o XIX, o espanca! e a Cia. Brasileira iniciaram um projeto de intercâmbio, chamado “Troca de Pacotes”.
Cobertura do Questão de Crítica:
Delírio em Terra Quente estreou dia 09 de dezembro de 2010, no Meia Ponta Espaço Cultural Ambiente, em Belo Horizonte, Minas Gerais.
2011
Abril
- Festival de Teatro de Curitiba – Fringe – Teatro Cleon Jacques. Cutiriba, PR.
Março
- Curta temporada: Meia Ponta Espaço Cultural Ambiente. Belo Horizonte, MG.
2010
Dezembro
- Temporada de estréia: Meia Ponta Espaço Cultural Ambiente. Belo Horizonte, MG.
Certa feita, estávamos no Festival de Teatro de São José do Rio Preto. E fomos juntos assistir ao espetáculo Suíte1. Que beleza de espetáculo. Havia ali alguma coisa que nos tocava, nos abria possibilidades e que queríamos entender. Na mesma noite, encontramos “o povo da brasileira” num posto de gasolina e passamos a madrugada conversando. Nos conhecendo. Percebemos que tínhamos muito em comum. E fomos alimentando um desejo de aproximação. Pouco tempo depois, reencontramos a Nadja no Festival de Londrina e promovemos um campeonato de sinuca (mineiros x paranaenses). E alimentamos novas possibilidades. Mais tarde, convidamos o Márcio para dirigir nosso segundo trabalho. Nos falamos algumas vezes, trocamos alguns textos, algumas idéias. E embora não tenha sido possível, alimentamos ainda mais a vontade de estarmos juntos. Até que fomos fazer uma temporada em Curitiba e conseguimos assistir “Apenas o Fim do Mundo”, outro trabalho da companhia. E saímos com o Márcio para jantar. Trocamos alguns livros e combinamos que faríamos o ACTO1!. Esse projeto surgiu, portanto, justamente da necessidade de estar próximo de nossos amigos, alimentando afinidades artísticas e o desejo de revê-los. Um pouco mais adiante, a Nadjinha veio fazer a luz do Congresso, era espanca! e brasileira criando juntos. E ao final do ACTO2! começamos o Troca de Pacotes, projeto de intercâmbio entre grupos tão amigos.
espanca!
Este espetáculo se ergueu a partir da leitura de contos de autores latino-americanos identificados com o chamado realismo fantástico, ou maravilhoso. Esses contos nos levaram a uma reflexão sobre as identidades da América Latina, o que forma um sentimento, uma sensação de pertencimento a essas terras tão calorosas. Concretamente, o que vocês verão são cenas inspiradas em Propriedades de um Sofá e Fábula Sem Moral, textos de Júlio Cortazar, Borboletas de Koch, de Antonio di Benedetto, Me Alugo Para Sonhar e no prólogo de 12 Contos Peregrinos, ambos de Gabriel Garcia Márquez.
Durante o processo, vivemos com os atores a experiência de um grupo de teatro, cotidianamente. E acreditando que isso também é pedagógico, compartilhamos o dia-a-dia de nossa companhia para além da criação artística e técnicas de atuação: a estrutura do grupo, os projetos, planejamentos, e também as discussões, reflexões, trocas para a construção coletiva de um pensamento de teatro.
Aos formandos, diríamos que o mais importante não é o teatro. É o que nos faz ir até ele, o desejo de buscar uma expressão, de traduzir em signos determinada sensação. Mais importante do que o teatro é ritualizar a convivência, transformá-la em afeto e diálogo, através do respeito ao outro, ao diferente e do respeito ao próprio teatro. Acreditamos que essa busca é que nos fará seguir caminhando, escaldados pelo Sol de nosso chão, construindo, através de nosso ofício, um espaço para a resistência. Aprendemos com nossos antepassados que resistir é prosseguir cantando, transformando nossos ritos a partir do contato com o outro, para além do além-mar, acima das naus, por cima do torturador, dos patrões, dos deuses e das tribos inimigas. Esse projeto nos mostrou como resistir, resta-nos fazer isso em coro.
Ainda sobre nosso espetáculo, gostaríamos de dizer que a fantasia está em nossa vida, não há como negá-la. Conviver com o fantástico é nossa tarefa mais prazerosa, uma maneira de se posicionar diante da realidade. E a morte, embora difícil, é aquilo que nos faz questionar o próprio viver. Ela é, pois, o alimento de nossos sonhos, tão tropicais.
formandos
Tudo começou com um desejo, um sonho. Um processo de criação ousado: montar um espetáculo com criação coletiva baseada no encontro entre um grupo de teatro e nós, alunos. A proposta foi lançada pelo Espanca!. Estávamos todos lá: atores, diretores, professores. Estava claro desde o inicio que o sonho era coletivo, e esse sonhar coletivo era nossa meta. Já no primeiro dia saltamos juntos no desafio, que às vezes duvidávamos ser realidade. Sair juntos e chegar juntos. E para isso precisávamos nos olhar, olhar além dos olhos, falar de nossos pesadelos. Estávamos todos atentos aos nossos medos, olhares, histórias, e por que não, as nossas histórias latinas. E de repente a pergunta foi feita: nos reconhecemos como latino-americanos? A resposta não viria assim tão fácil. O jeito era abrir nosso peito, colocar nossos corpos no espaço e sentir. Alguma coisa já estava acontecendo. E como num sonho, onde o tempo brinca e o caos ensina, o delírio estava lá. Estávamos todos lá. Sim, Delírio em Terra Quente é um delírio coletivo, se é que é possível pensar assim. E talvez essas duas palavras – delírio e coletivo – sejam bastante significativas não só para pensar o nosso processo de construção do espetáculo, mas também o fazer teatral (e claro, os três anos de convivência) e, quiçá, toda a formação identitária da América Latina. Opa! Devagar com as generalizações, que a América Latina é um mundo gigante, híbrido, com várias identidades, línguas, culturas. Pretenso projeto esse de tentar entender qual ou quais seriam as identidades latinas… Mas os contos de Gabriel Garcia Márquez, Jorge Luiz Borges, Júlio Cortazar, entre outros autores, nos amparavam, nos fortaleciam. Então mergulhamos em um universo fantástico, que de repente descobrimos ser maravilhoso, e chegamos ao nosso próprio lar. Construímos estereótipos, personagens-tipo, figuras, e de repente percebemos que éramos nós mesmos. Porque, afinal, falar de delírio em terra quente é falar de nossos próprios delírios, de nossa própria terra. Então, falamos de nós. Sim, somos latino-americanos. Porque, para nós, como para Cortazar, “a realidade é uma realidade onde o fantástico e o real se entrecruzam, cotidianamente”. E Borges dá a saída: “aceitar o sonho como aceitamos o universo, olhar com olhos e respirar”. E foi assim, nunca esquecendo de respirar juntos, que chegamos aqui, neste delírio, neste calor coletivo, nesta terra quente de nossos sonhos.
Conhecemos “os meninos do XIX” no Festival de Teatro de Curitiba. Um dia depois da estréia de Amores Surdos, num almoço no Passeio Público. Trocamos algumas palavras. E fomos todos assistir ao Hygiene (segundo espetáculo do grupo) também recém-estreado. E vimos que no trabalho deles havia alguma coisa que nos instigava, que nos agradava e que queríamos entender. Depois eles vieram para BH apresentar o Hysteria no FIT. Fizemos uma festinha para eles na casa da Fê. Trocamos telefones. E várias histórias. Um tempo depois, estávamos fazendo uma temporada em São Paulo e eles nos convidaram para um jantar na casa da Sara, para o “Antropofágicos”, um projeto de Encontros Artísticos criado por eles. A idéia era nos conhecermos melhor. Levamos alguns vinhos e nessa noite trocamos várias idéias. Percebemos que nossas histórias eram muito parecidas, que nossos problemas eram próximos. Como próximas eram as angústias, os medos, as insatisfações e principalmente os desejos que nos moviam. Constatamos que éramos grupos irmãos. Portanto, o ACTO! foi surgindo enquanto nos conhecíamos. E formalizar esse encontro seria como uma reunião de amigos. Tempos depois do ACTO1!, criamos o Barco de Gelo, um embrião do que seria uma peça feita pelos dois grupos. E no ACTO2! pudemos apresentar Marcha Para Zenturo, co-criação entre espanca! e XIX, trabalho que contém a força do convívio entre companhias que se conheceram intimamente.
Ayrton Baptista Júnior
DELÍRIO EM TERRA QUENTE: DELICIOSA CIRANDA DE PROTESTOS
publicada no site www.wapanda.com.br
Delírio em Terra Quente começa e termina com cortejo fúnebre. Achou triste? Aviso que não é. Neste espetáculo, a Cia. Mineira de Teatro apronta uma colorida ciranda que aborda ditaduras latino-americanas, sexualidade, questionamentos sobre ascensão social e ao modelo made in USA. Achou muito sério? Aviso também que muito se protesta, mas não é um formal teatro político. É uma peça inquietante (sim!) e deliciosamente delirante.
Entre o primeiro e o último funeral, o texto não linear oferece a insatisfação dos empregados, o garçom sem dinheiro para a prostituta, a agonia da dona de casa diante da bagunça dos filhos, e anuncia novas mortes, de poderosos e de contestadores.
O público vê a peça sentado em confortáveis sofás ao redor do palco. A luz nunca intensa e vestes que mais parecem trapos emprestam um adorável sabor de trupe aos atores, que acentuam as tantas transformações com objetos de dupla função: a cama do bordel vira carroça; a mesa de reunião passa a ser a porta da família; a escada de segundos atrás agora é navio. Intocável é apenas a velha poltrona, que funciona como um trono da morte.
O jovem elenco da Cia. Mineira é de alunos do premiado grupo Espanca! (celebrado desde Por Elise, que estreou em 2005), que assina a direção e informa que textos de Júlio Cortazar e Gabriel Garcia Márquez são algumas das fontes de inspiração Mas Delírio em Terra Quente vai muito além! A salada inclui Getúlio Vargas, Superman, Che Guevara e Disneylandia e eu a devoro como se saboreasse um misto de dois grandes filmes: Terra em Transe, de Glauber Rocha, e Amarcord, de Federico Fellini.




