O espanca! é um grupo de pessoas a procura de uma arte que seja reflexo do tempo em que vivemos. Até hoje, estivemos essencialmente envolvidos em processos de criação de espetáculos de teatro. Estes espetáculos nos ajudaram, e ajudam, a refletir sobre nossa condição de estar no mundo. E assim seguimos, num contínuo questionamento sobre o que dizemos e como o fazemos. Hoje, o teatro é um meio para praticar essas incertezas. Futuramente, podemos fazer um filme, uma propaganda ou um desfile de moda, disputar uma Olimpíada, se essa for a forma mais adequada para a expressão dos nossos desejos. Nos encontramos formalmente em 2004. Somos: Aline Vila Real, Grace Passô, Gustavo Bones e Marcelo Castro.
História
Grace, Gustavo e Marcelo fundaram o espanca! no ano de 2004, em Belo Horizonte, junto aos atores Paulo Azevedo e Samira Ávila e às produtoras Fernanda Vidigal e Juliana Sevaybricker. No dia 17 de setembro, estreamos uma cena chamada “Por Elise” no Festival de Cenas Curtas promovido pelo Galpão Cine Horto. Em 2005, essa cena transformou-se em nosso primeiro espetáculo e no fim deste ano, publicamos um livro contendo o texto de “Por Elise”. Nosso segundo trabalho, “Amores Surdos”, estreou em 2006. Em 2007 realizamos, junto ao Grupo XIX e a Cia. Brasileira, o “ACTO1! encontro de teatro”. “Congresso Internacional do Medo”, nossa terceira peça, estreou em 2008, quando chegou a Aline (atual produtora e integrante do grupo). O último trabalho da companhia é uma co-criação junto ao Grupo XIX de Teatro, estreou em 2010 e se chama “Marcha Para Zenturo”. Neste mesmo ano, promovemos a segunda edição do “ACTO!” e dirigimos coletivamente a montagem de formatura do curso de teatro do Palácio das Artes, “Delírio em Terra Quente”. Em 2011, inauguramos o teatro espanca!, um espaço no hipercentro de Belo Horizonte que pretende popularizar o acesso a trabalhos de arte contemporânea. A vida neste espaço tem sido intensa. Ainda em 2011, realizamos o “Troca de Pacotes”, um projeto de intercâmbio com a Cia. Brasileira; e através do “Encontro Tátil”, iniciamos os estudos para criação do nosso próximo trabalho: “Líquido Tátil” terá direção e texto do argentino Daniel Veronese e a previsão de estreia é setembro de 2012.
Equipe
Espanca!: Aline Vila Real, Gustavo Bones, Grace Passô, Marcelo Castro
Assistência de Produção: Denise Lopes Leal
Coordenação Técnica: Edimar Pinto
Assistência Técnica: Carlos Santos
Identidade Visual: 45 Jujubas
Fotógrafo: Guto Muniz
Vídeo: Teia
Administração Financeira: Ângelo Batista Silvia Batista
Assessoria de Imprensa: A Dupla Informação
Quando criança quis fazer ballet, mas não fiz. Depois, adolescente, participei de um grupo amador de teatro, todos colegas de colégio. Depois me formei em Publicidade, estudei Culturas e Imagens Midiáticas, trabalhei com produção em TV, agência de publicidade, dança, música e trabalhando em um festival, encontrei Grace – a atriz das borboletas e da dona de casa, como eu a conhecia. Com certa convivência, marcamos um encontro com todos do espanca! para uma possível parceria. O encontro foi tão modificador que hoje sou grupo espanca! numa evolução constante. Com Graça, Gu e Ci, aprendo cada dia a ser grupo, ser parceiro, ser sensível, ser dinâmico, criativo e, juntos, realizar desejos.
Formei-me como atriz no Centro de Formação Artística do Palácio das Artes e nos grupos teatrais nos quais trabalhei. A primeira palavra que escrevi foi meu nome. As últimas serão as que escreverei agora, é claro: “Eu osso o músculo coração”. Quando pequena tive um orgasmo de tanto repetir uma mesma palavra, repentinas vezes. Estou falando sério, isso não é uma metáfora: deitei na cama e falei para mim mesma a palavra “porque”, várias vezes, de forma cada vez mais sentida, até que num determinado momento que eu estava tão intensa que tive que parar, senão não viveria mais de tanta plenitude. Eu juro. O mais interessante é que não vinculei esses porquês a nenhuma coisa específica, era simplesmente um porquê absoluto. Não sei porque escrevi isto aqui mas deve haver algum sentido. Sou excessivamente fiel ao que me inspira. Quando crio, fabrico uma seta em direção a algum eixo no mundo. Construo a direção da seta no ar, e caminho em sua direção; e por vezes caminho tanto que tenho que parar, senão paro de viver, de tanta plenitude. Eu osso o músculo coração.
Gosto de ler José Saramago, ver Pedro Almodóvar, ouvir Caetano Veloso e sentir Pina Bausch. Comecei a fazer teatro com onze anos. Era uma criança tímida. Fiquei amigo da Grace quando ela matou uma reunião de trabalho. E do Marcelo, quando saímos pra beber depois do ensaio. Baiana ou Maria Turca? Aqui no espanca! eu sou o homem que calculava. Sou aquele que corre. E aquele que cuida do projetor. Já andei sonâmbulo. E agora ando descalço. Moy uôuôuô que mablo siá. E que faço os reembolsos. Algumas coisas são boas, outras são muito chatas. Mas eu estou aqui nesse grupo, nessa família, nessa empresa, nessa turma de amigos, nessa corrente pra frente, porque aqui, sinto minha idéia de teatro fortalecida. Porque admiro profundamente meus parceiros. Porque sinto que com eles, meu teatro é mais forte, mais potente, mais completo. Porque juntos, nossa arte é mais complexa e mais agradável. De fazer e de assistir, creio eu. Porque os meninos me fizeram chegar a lugares que eu nem pensava. De Berlim a Guaramiranga.
Sou ator.
A arte que faço lida com o tempo como ele é agora, uma forma não romantizada do agora, sem ilusão, sem nostalgia.